Ultrageek 337 – Fordlândia

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RAULLL CAVALARIA GEEK!

No Ultrageek dessa semana vamos falar sobre uma história que poucos geeks conhecem, mas que tem quase um quê de ficção de tão insana que ela é. Vamos contar a história de… Fordlândia! A cidade planejada de Henry Ford no meio da floresta Amazônica!

Seringueiro convidado:
Carrasco da Cavalaria Geek (Harleys de Sampa)

Nesse episódio: Viva o capitalismo utópico, realize (na marra) o sonho americano, alcance a independência da borracha, mude-se para Brasília Legal, quebre algumas panelas, discuta se macarrão é ou não mistura, perca milhões, tenha uma alimentação saudável e descubra como Ford se fordeu!

 

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Sobre o autor

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  • Interessante o programa, com a abordagem sempre leve de vocês abordando coisas muito duras como colonialismo e imposição cultural.
    Aproveitei a inspiração de vocês para pesquisar um pouco e vi que a Fordlândia foi inspirada em um modelo chamado company town, cidade operária, modelo este que fracassou em várias outras localidades, pelo que percebi revoltas como a dos amazonenses pela forma como eram tratados pela companhia dona da cidade ocorreram em outros lugares, inclusive nos Estados Unidos.

    Quem sabe seria um bom tema para um futuro episódio?

    Ah, esse capitalismo que vocês chamam de utópico me pareceu um misto de paternalismo e selvageria.

  • Alex Rocha

    E aí, pessoal? Parabéns pelo episódio. Preparem-se para o textão, porque EU ESTIVE LÁ!!!

    Meu pai nasceu em Fordlândia em 1960, muitos anos depois da crise e da partida dos norte-americanos. Na pré-adolescência ele se mudou pra Belterra (também citado no episódio), depois Santarém e, namorando a minha mãe, já na situação de órfão, foi tentar a vida em Manaus-AM; cidade em que nasci.

    Cresci ouvindo meu pai contar as histórias de Fordlândia, muitas que ele ouviu do meu avô e bisavô (ambos falecidos). Eles foram uns dos operários que trabalharam na cidade. Inclusive meu avô era uma espécie de porteiro do galpão principal de ferramentas, localizado na entrada da cidade. Mesmo quando eu meu pai nasceu, meu avô ainda trabalhava exercendo essa função.

    Em 2005, já com 22 anos de idade, finalmente tive a oportunidade de visitar o lugar. Em uma viagem para Santarém no Pará, meu pai fez questão de voltar à sua terra natal depois de tanto tempo. Pegamos uma embarcação no final da tarde e chegamos em Fordlândia um pouco antes do sol nascer.

    Meu pai ainda tem uma tia que mora lá. Pegamos um “taxi”, que na verdade era uma Kombi velha e fomos até a casa dessa tia. Mas dava pra ir a pé, tranquilamente. Tomamos café, descansamos e por volta das 9:30 meu pai disse “vamos conhecer a cidade”.

    O tour, a pé, durou aproximadamente uma hora e meia. Mas o brilho nos olhos do meu pai me deixou feliz, pois ele estava ali me mostrando parte da história dos meus avós e também da Amazônia brasileira.

    Vi as casas que foram construídas na época. Algumas com pessoas morando. Outras sendo consumidas pela vegetação. Ele explicou que certos bairros (quadras) eram divididas por hierarquias. Segundo ele, meu bisavô precisou mudar de casa duas vezes por causa de promoções. Uma dessas casas, a última que meu pai morou, tive a oportunidade de conhecer. Havia uma família morando nela. Meu pai pediu licença pra mostrar pra mim. Emocionado ele lembrou das brincadeiras no quintal com os irmãos.

    Caminhando para a parte mais alta, havia um outro conjunto de casas, equivalente aos moradores da hierarquia mais alta. Casa maiores e mais espaçosas. Porém somente as três primeiras casas da rua estavam habitadas e modificadas. As demais completamente cobertas pela vegetação e abandonadas.

    Conheci o campo de futebol, a estrutura da caixa d’água, o galpão principal de ferramentas e ferragens; completamente consumido por pó e ferrugem. Muitos itens e maquinários daquela época ainda estão por lá.

    Mas o que eu queria ver mesmo era o hospital, cujas características de qualidade foram as apresentadas no episódio. Ele fica na parte mais alta da cidade. O trajeto até lá (pelo menos em 2005) só era possível a pé e com difícil acesso.

    Chegando lá, pudemos ver o total abandono do galpão. Ainda com macas, cadeiras de roda e demais objetos hospitalares, espalhados pelo chão. Na entrada um enorme balcão de madeira que era a recepção. Meu pai explicou como funcionava: de um lado era o leito masculino e do outro feminino.

    Fizemos várias fotos (ainda com uma câmera analógica) e na ocasião eu até brinquei: “já pensou se na hora de revelação do filme, aparece um espírito de um paciente que morreu aqui”? O cagaço não me permitiria fazer essa visita à noite ou num fim de tarde (risos).

    Mesmo com os americanos cedendo as instalações da cidade para o governo brasileiro, infelizmente não foi possível mantê-lo, resultando no abandono.

    Voltamos e no caminho não pude deixar de observar os hidrantes quase que camuflados pelo tempo nas esquinas. A igreja da cidade também é outro lugar que se destaca pela arquitetura antiga. À noite, vista de longe, ela também passa uma imagem assustadora.

    Ficamos só um dia lá. Não tinha mais o que conhecer. Meu pai e eu, apesar do receio, dormimos em redes na varanda da casa. No dia seguinte, antes do sol nascer, já estávamos no porto com destino à Itaituba, uma outra cidade próxima que também tem história, mas em relação aos garimpeiros.

    Meu pai voltou lá, há uns 5 anos. Dessa vez sozinho. E segundo ele, está tendo uma certa migração de pessoas, abertura de comércios, em virtude de uma estrada que foi inaugurada por trás da cidade. Mas ainda sem grandes atrativos, Fordlândia permanece uma cidade fantasma e com muita história pra contar.

    É isso aí. Forte abraço e mais uma vez parabéns pelo episódio!

  • Juliana Bárbara

    Outro episódio épico. Desses que a gente vai fazer todo mundo ouvir, quando não esnobar conhecimento na cara dos inimigos. Kkkkkk
    RAULLL

  • Petrus Augusto

    Interessante (até o momento), podemos resumir o ocorrido na cidade com ‘brasileiro NÃO ACEITA regras’.

    Tudo bem que tem umas ridículas, mas, vendo o ocorrido e vendo o histórico do Brasil, podemos resumir a isso. Brasileiro não aceita regras.

  • A2B Sistemas

    Não acredito que num episódio com o Carrasco, falando de seringueira não rolou a piada de “tirar leite do pau”…