WRG Convida – Hiro (post 2)

WRG Convida – Hiro (post 2)

Sejam bem-vindos ao WeRgeeks Convida, um espaço criado para que nossos amigos, leitores e ouvintes também possam participar do blog e deixar posts com seus pontos de vista sobre o universo geek. O convidado de hoje é o nosso querido amigo, mestre e companheiro de RPG, “adêvogado”, leitor, ouvinte e comentarista mais que crítico Hiro! O rapaz também já é de casa, afinal, já é uma figura carimbada nos podcasts. Ele esteve no episódio 66, episódio 63episódio 30 e no horrível, mas memorável, episódio 8! ;D

Assembling the avengers – o filme dos Vingadores na banda desenhada

Tomando o gancho marca registrada do Rafa emprestado: “Se você não assistiu Vingadores ainda, seu nerd, tire a sua bunda gorda grudada de cheetos da cadeira e vá ao cinema”. Hoje o tema já meio mitigado ainda está por aí, mas duas semanas atrás não se falava em outra coisa. E o filme merece esta atenção. Muito bem amarrado, a obra traz tudo que nós queríamos de um filme de um grupo de heróis desde… bom, desde sempre.

Sei que teoricamente todo mundo já viu e já falou tudo que tinha que ser dito sobre esse filme, mas eu não vi muita gente na internet, pelo menos, escrevendo especificamente sobre as influências quadrinísticas por trás do trabalho de Joss Whedon. E por outro lado, tendo algum convívio em fóruns tenho visto alguns novos fãs querendo conhecer mais sobre esses heróis e sobre os próprios Vingadores. Então, dentro do meu conhecimento limitado, pensei em algumas boas histórias que serviriam ao mesmo tempo de inspiração pro cinema e que serviriam de primeira experiência e fio condutor pra alguns leitores mais inexperientes. Vale uma última ressalva de que são três obras interessantes, mas que não esgotam de nenhuma maneira o assunto.

Bom, vamos à minha enxuta lista:

Avengers: Earth’s Mightiest Heroes, Joe Casey e Scott Kollins (Vingadores Anual 1 e 2 no Brasil)
Foi a primeira revista dos Vingadores que eu li e realmente gostei. Ela narra a criação da equipe clássica dos Vingadores e aborda muito bem as motivações de cada herói, suas dúvidas e seu empenho pra que essa equipe dê certo. Os primeiros números fazem com primazia essa releitura, mas conforme a narrativa avança, o autor permeia alguns momentos chaves da equipe e até pro leitor mais antigo fica bem interessante, mostrando alguns episódios meio obscuros e dando mais densidade às escolhas desses heróis tanto a algumas decisões passadas quanto pras tomadas nos arcos mais recentes.

Serve, ainda, de bom paralelo ao filme por não ter um plot lá muito elaborado (como o do filme, btw) e por isso mesmo creio que pode cativar muito o leitor iniciante. A arte é lindíssima, traço muito claro e com um toque classudo (retrô em certos momentos) que serve bem pra uma história que serviria de clássico moderno. Vale uma referência à armadura do Ironman com buracos pros olhos que dão um toque muito especial de nostalgia, assim como auxiliam a narrativa.
No Brasil foi lançado pela Panini em 2006, com o nome supracitado, existe também a edições picadas que foram lançados nas bancas também, acho que só como Vingadores.

New Avengers, Brian Bendis (Novos Vingadores)
Por se tratar de uma parte da série contínua dos vingadores creio que essa é a mais fraca das três que eu sugiro aqui. Ela se passa após Vingadores: a queda e mostra o Capitão América e Tony Stark montando uma nova equipe. Pro leitor que já leu alguma coisa e talvez pra um novato que saiu da porta do cinema e adquirisse essa revista, pode ser estranho ver o Wolverine e o Aranha nos vingadores, estratégia essa justamente focada em trazer novos leitores pra revista à época.

O motivo principal pra minha sugestão diz respeito também à continuidade da história, pois pra alguém que queira acompanhar a série contínua da Marvel onde ela esta agora, aproveitando as discussões em Guerra Civil chegando até hoje com Vingadores vs. X-men, serve de uma boa iniciação às mega sagas da editora. Também é um arco bem curto, só umas quatro revistas se me recordo bem, e não cansa.

Não teve muita influência real no filme talvez porque o Wolverine seja propriedade da Fox, junto com os outros X-men, e o Cabeça de Teia seja propriedade da Sony. Mas creio que um público novo pode se interessar pelos quadrinhos do mesmo jeito. O Bendis também é um bom roteirista pra quem começa por ser bem repetitivo. A arte não é um ponto alto desse mini arco, na minha opinião também, mas não deixa a bola cair. As capas pelo menos são bem interessantes.

Foi lançado aqui pela Panini em 2007-2008, como Novos Vingadores. Não é difícil de achar em sebos nas edições picadas.

The Ultimates 1 e 2, Mark Millar e Bryan Hitch (Os Supremos 1 e 2)
Aqui está a grande influência do Joss Whedon, mas grande mesmo, pra não dizer descaradamente chupinhada.

Mas antes de falar dos Ultimates (pra mim o nome supremos não ficou muito bom e está muito ligado à Supreme Power…), vale um pequeno momento história: Em 2000-2001 a cabeça dos nerds do mundo todo explodiu com “X-men, o filme” (mais ou menos o que está acontecendo agora com os Vingadores). Nesse filme, de Bryan Singer, os heróis são remodelados pra terem uma aparência e um comportamento mais verossímil, mais próximo do contexto do mundo real, essa estratégia serviria pra atrair um público que não consumia quadrinhos e não estava acostumado com os exageros do gênero. Pra encurtar a história junto com outros fatores como a crise no mercado de quadrinhos, a mudança de paradigma dos heróis pós 11 de setembro e etc., a estratégia deu certo. Tão certo que a própria editora resolveu espelhar isso nas suas histórias: banir uniformes multicoloridos, extravagâncias nos uniformes e ferramentas seriam extirpadas assim como explicações muito fantasiosas como poderes mágicos que tinham perdido apelo com o público. Com essas mudanças a Marvel pretendia pegar esse novo público, mas preocupada com o antigo ela manteve sua linha editorial tradicional sem alterações tão drásticas e lançou uma nova que se passaria em um novo universo: o universo ultimate (pros íntimos, ultiverso) se diferenciando no tradicional que ela chamou de universo 616 ( o outro tinha um número tb, mas ninguém usa). As outras histórias que eu sugeri, assim como o filme em teoria, se passam no universo 616.

Nesse novo universo, ela lançou alguns selos que fizeram sucesso como homem aranha, focado num Peter Parker mais jovem e nos seus problemas de relacionamento e da adolescência; Quarteto, com uma abordagem mais scifi do que as revistas originais; X-men, muito influenciado pela repercussão do filme e bastante centrado no Wolverine. E finalmente, os Ultimates.

O certo seria dizer e ULTIMATES… p*&% que o pariu!!!

Uma breve introdução, sem spoilers, seria dizer que os Ultimates foram criados dentro desse espírito dos anos 2000 como um grupo do governo, capitaneados pela SHIELD veja você, pra que combatessem ameaças ao mundo (ou não), praticamente uma iniciativa anti terrorista mesmo. Dentro dessa premissa o super espião Nick Fury, um negão inspirado mesmo no Sam Jackson, traz o capitão de volta à vida e congrega aos gênios Tony Stark, Bruce Banner, Henry e Jane Pym (Gigante e Vespa). O Deus do trovão é adicionado mais tarde já que a maioria das pessoas acha que ele é um maluco com super poderes. Os poderes do Hulk vem nessa primeira parte da obra, de um sub produto do soro do super soldado, que álias vira uma verdadeira panacéia pra explicar todo e qualquer poder no ultiverso que não seja mutante.

Como você já deve ter percebido, o espírito do filme é o mesmo, tentar modernizar estes heróis e principalmente suas histórias tornando-os mais interessante pros leitores modernos. Muito do filme está lá, o uniforme do Thor, a personalidade over the top do Homem de Ferro, e o Capitão servindo como fio condutor da trama, sendo que a sua história se enlaça com o plot da invasão alien em termos muito parecidos com o que fizeram com o Thor e o no seu próprio filme.

Joss Whedon também reutilizou os personagens trazendo a viúva negra, que vem no segundo volume da mini e até o Loki como vilão… Mas sobretudo ele se utilizou desse ethos de instituição sob a égide de um governo que o Mark Millar explora muito bem, principalmente no que diz respeito à repercussão mundial e na importância geopolítica que um grupo desses exerceria. Por sinal, o roteiro é fantástico. Millar não pode ser considerado nada abaixo de gênio, seu texto potencializa essa excelente história com a dose certa de profundidade dos heróis e com uma ação própria de um blockbuster de verão, a arte por sinal serve como a motriz a essa decisão narrativa com páginas duplas, triplas, quádruplas em grandes panorâmicas cinematográficas e cenas de ação memoráveis!

Pro leitor iniciante creio que o único problema vai ser se decepcionar muito com o resto do material que ler depois. O plot é um pouco mais denso do que o material usual de quadrinhos, mas é muito bem amarrado e não me lembro de um ponto onde um leitor mais inexperiente possa se perder.

Bom, é um material facilmente conseguível, com várias versões: capa dura, capa mole, volumes juntos, volumes separados, em edições. Por ser a maior, acho que é a mais cara também, mas vale cada centavo várias vezes.
Pra retomar o Rafa, no final, “Se você não leu Ultimates ainda, seu nerd, tire a sua bunda gorda grudada de cheetos da cadeira e adquira-a”.

Sobre o autor

  • Ra

    Foda o post!! Eu sempre me amarrei nos Vingadores, mas parei de ler quando o Steve Rogers estava usando o uniforme preto e agia ao lado da Víbora.

  • Hiro

    Caraca, essa capa que a Panini escolheu pro Vingadores anual é uma das piores de toda a mini pqp… Tem uma mto foda do Hulk dando um soco na cara do Ironman que é fodástica.

    @Ra hahaha, os bons tempos dos vingadores bucha… Acho q foi desse arco aí que eles resolveram voltar com o soldado invernal, mas não tenho certeza.