WRG Convida – Mauro Pichiliani (post 3)

WRG Convida – Mauro Pichiliani (post 3)

Sejam bem-vindos ao WeRgeeks Convida, um espaço criado para que nossos amigos, leitores e ouvintes também possam participar do blog e deixar posts com seus pontos de vista sobre o universo geek.

Temos o prazer em receber aqui mais uma vez @Pichiliani" href="http://twitter.com/pichiliani" target="_blank">Mauro Pichiliani, programador DBA (Database Administrator), Mestre Professor, consultor, escritor, articulista e podcaster do Databasecast! No qual, aliás, nós participamos do episódio 18!!! #FicaDica

Quando teremos um método matrix de ensino a distância?

Olá leitores do WeRgeeks. Mais uma vez, quem escreve para vocês é o @pichiliani" href="http://twitter.com/pichiliani" target="_blank">Mauro Pichiliani, aquele maluco que já escreveu aqui no WeRgeeks sobre interação com smarphones e tecnologia de holodeck.

Desta vez vou me focar na educação. Recentemente li um dos artigos da seção EU QUERO do WeRgeeks onde o Tato falou que gostaria de um método de ensino a distância no estilo Matrix. Bem, atualmente ainda estamos um pouco longe disso, mas algumas pesquisas recentes mostram que estamos caminhando nesta direção. Neste post vou abordar um pouco do estado da arte no que diz respeito ao aprendizado.

Em primeiro lugar, ainda falta muito para inserirmos diretamente no cérebro alguma informação. Alguns avanços avançados em símios do estão começando entender melhor como inserir informações e criar sensações que não estão lá como, por exemplo, o tato virtual. Nota: NÃO estamos falando do cara do busão vestido com a roupa do Tron!

Mas esta não é a única área de estudos que vem avançando no que diz respeito à aprendizagem. A neurociência vem produzindo resultados muito interessantes que podem ajudar quem pretende aprender rápido algum tópico. Basicamente os estudos vêm indicando que situações adequadas podem auxiliar muito o aprendizado e fazê-lo se tornar cada vez mais rápido. Por exemplo: um dos resultados recentes indica que alimentação adequada e a quantidade certa de horas de sono realmente fazem a diferença na hora do aprendizado. Outra recomendação é que se procure um lugar de estudo sem barulho e movimento. Contudo, há pesquisas que mostram que o estudante não deve ficar extremamente confortável, pois há indícios que quando se coloca um pouco de desconforto físico (uma cadeira simples, por exemplo) há mais retenção de conhecimento.

Há também alguns avanços em fatores externos manipuláveis que potencializam o aprendizado. Por exemplo, o uso de estimulação magnética transcranial vem sendo empregada para potencializar a concentração e aumentar a capacidade de reconhecimento e aumento do detalhamento em certas tarefas. O vídeo abaixo mostra um pouco sobre isso. Destaco o índice de tempo 0:47s onde o pesquisador utiliza um dispositivo externo (que não causa dano nenhum) para estimular certas área do cérebro durante o experimento.

Há também diversos avanços nas tecnologias que permitem a análise das áreas do cérebro, inclusive com dispositivos de baixo custo que podem ser utilizados como sensores sofisticados ou como dispositivos para a interação com o computador. Vale a pena destacar aqui que cada vez mais estamos entendendo não só o cérebro, mas também todo o sistema nervoso e sensorial, e que estes avanços possuem impacto direto na área de aprendizagem e educação.

Outras abordagens para estimular de forma externa o aprendizado, concentração e memória incluem o uso de pílulas, suplementos e outros elementos bioquímicos. Ainda não há pesquisas sérias que realmente comprovem a eficácia destas abordagens, mas vale a pena acompanhar o desenvolvimento das pesquisas nesta direção.

Do ponto de vista de recursos de aprendizagem temos uma verdadeira revolução. Se antes aprendíamos no modelo tradicional de ensino conhecido como “giz, saliva e apagador” que envolvia muita decoreba, atualmente estamos rodeados de recursos inovadores para facilitar cada vez mais o aprendizado. Vou citar alguns deles para provar o argumento que está cada vez mais fácil aprender.

Vamos começar pelos livros. O exemplo clássico envolve aquele livro de matemática com pouca teoria, nada de humor, demonstrações secas e frias e muitos, mas muitos exercícios. Hoje em dia não precisa ser mais assim: existem abordagens muito mais didáticas. Por exemplo:

a) Livros que ensinam matemática e outros assuntos em formatos diferentes com ilustrações de situações, quadrinhos, anotações engraçadas na lateral e até focadas especialmente para meninas. Nota: este livro de matemática chamado ‘Math doesn’t suck’ foi escrito pela Danica McKELLAR, a atriz que interpretou a Winnie Copper no saudoso seriado Anos Incríveis (Wonder Years). E sim, ela é uma verdadeira nerd com direito a uma equação que leva o seu nome!

b) Há também uso de quadrinhos feitos por pessoas em situações reais. Eu particularmente me divirto muito quando vejo iniciativas como o do Uncle Bob para ensinar conceitos complexos, tais como algoritmos, ou a ótima tirinha do nerdson que ensina muito bem o conceito de hotlinks, algo que todo muito que tem um blog ou site deveria saber.

Há também o uso criativo de jogos, música e dança para o aprendizado. Este conceito está cada vez mais presente à medida que os jogos estão começando a fazer parte do nosso cotidiano. Sim, estamos falando de gamificação. Um exemplo é o uso de jogos e danças para ensinar algoritmos como este canal no youtube mostra.

Quando se fala de vídeo nota-se que há diversas ideias interessantes para facilitar o aprendizado. Aqui destaco duas: a já famosa academia Khan, junto com as tradicionais vídeo aulas. Por outro lado, temos algumas abordagens bem didáticas como o uso criativo de papel e fantoches.

Já o uso de simuladores vem cada vez mais me surpreendendo. Além dos já tradicionais cockpits para de simuladores de aviões, carros, motos, caminhões, guindastes, helicópteros e outros, pode-se notar que o uso de simuladores vêm auxiliando muito o aprendizado prático.

Além de recursos de aprendizado também há avanços em metodologias. Destaco aqui a ‘metodologia de ensino MythBusters’: eles partem de um mito, apresentam ideias para testes (primeiro em pequena escala e depois grande escala), citam as medidas, detalham a montagem, fazem o teste, discutem a análise dos resultados, modicam as características do experimento para replicar as circunstâncias em que o mito ocorre e finalizam decretam o veredicto sobre o mito (detonado, plausível e confirmado). Este tipo de metodologia ajuda muito quando estamos aprendendo, pois ela tem em seu cerne diversos princípios científicos que facilitam a compreensão.

Para finalizar destaco que grande parte do foco do aprendizado deve ser no aprendiz. Por isso cito a frase de um livro que aborda sobre como resolver problemas e, apesar de ser todo focado em exemplos matemáticos, ensina que através da resolução de problemas podemos conhecer os limites do nosso conhecimento e, a partir daí, expandi-lo.

“Quando um estudante comete erros realmente tolos ou é irritantemente vagaroso, a causa é sempre a mesma: ele não tem qualquer desejo de resolver o problema, nem mesmo deseja entendê-lo adequadamente e, por isso, não chegou sequer a compreendê-lo. Portanto, o professor que realmente deseja ajudar o aluno deve, antes de tudo, estimular a sua curiosidade, incurtir-lhe certo desejo de resolver o problema. O professor deve também conceder algum tempo ao aluno, para que ele tome a decisão e se dedique à sua tarefa.

Ensinar a resolver problemas é educar a vontade. Na resolução de problemas que, para ele, não são muito fáceis, o estudante aprende a perseverar a despeito de insucessos, a apreciar pequenos progressos, a esperar pela ideia essencial e a concentrar todo o seu potencial quando esta aparecer. Se o estudante não tiver, na escola, a oportunidade de se familiarizar com as diversas emoções que surgem na luta pela solução, a sua educação matemática terá falhado no ponto mais vital.”

Estes dois parágrafos acima foram retirados da segunda edição do livro “A arte de resolver problemas” de G. Polya, Editora Interciência, 1944, página 114.

 

Sobre o autor

  • O método mythbusters é bem parecido com o PBL (problem based learning). Você apresenta um problema para os alunos, fornece informações básicas e deixa eles resolverem o problema vivenciando tentativas e erros.
    Isso tem sido bastante utilizado para ensinar lógica de programação em universidades australianas, estadunidenses e europeias. No Brasil, infelizmente ainda estamos ensinando no quadro negro, fortan, c e outras opções que desmotivam os estudantes.