Alô criançada o Bozo Ramon chegou!!

Navegando por esse interwebzão de Deus, esbarrei diversas vezes com filmes que tiveram seu áudio alterado, tornando algo sem graça em um hit instantâneo ou um clássico eterno. Sim, fofuxos… o maravilhoso mundo das redublagens!  Começarei falando do clássico “Bátima na Feira da Fruta”, que meu amigo Sr. RaspaX de Gelo, vulgo Diogo, recomendou recentemente.

Na época onde não havia o Google, Youtube ou Xvideos; ser geek era para poucos. A molecada de hoje pega qualquer vídeo no VocêTubo, abre num Media Player da vida, grava o áudio por cima, manda de volta pro site e chama isso de redublagem. Eu chamo isso de porcaria…

A facilidade de gerar conteúdo é inversamente proporcional à qualidade do mesmo. Nos anos 80, para alguma coisa ficar famosa sem ter sido feita por um canal de televisão, só sendo muito boa. E o que dizer de um episódio do seriado do Batman (aquele barrigudo com roupa de lycra), onde ele informa ao comissário Gordon que a mulher dele e a mãe, são putas pagas? Óbvio que seria um sucesso!

Para que essa obra-prima viesse ao mundo foi necessário um videocassete JVC 6700, que em 1981 era o suprassumo da tecnologia, com o recurso audiodub que permitia inserir áudio na gravação sem alterar a imagem e dois amigos desocupados. Eram Fernando Pettinati (Bátima) e Antônio Carlos Camano (Robin), que tinham seus 18 anos e muito tempo livre para criar diálogos memoráveis que todos nós gostaríamos de ver na série original. Afinal quem nunca se perguntou onde o Batman escondia um BatEscudo daquele tamanho?

Depois de pronto, o vídeo rodou a casa de todos os amiguinhos e foi se espalhando como a fita da Samara em O Chamado. Até que alguém teve a brilhante ideia de compartilhar isso com a humanidade, e em 2003 enfim o colocou na internet. Nascia um mito. Muitos sites já contaram a origem deste hit, inclusive entrevistando os autores, mas eu vou me ater ao conteúdo que merecia um Oscar de melhor roteiro original.

Me desculpe Da Vinci, mas pintar uma gordinha com cara de “peidei mas não fui eu” está muito abaixo na escala de genialidade do que começar um seriado de super-heroi com o hit: “Entrei na feira da fruta, pra ver o que feira da fruta tem…”. Pesquisas comprovam que 99% dos espectadores começam a ver o Bátima com um sorrisinho no canto da boca (1% é margem de erro). E o que dizer para dois policiais que encontram os mocinhos amarrados e se perguntam: “a dupla dinâmica?!”. “Não, seu pai e sua mãe vestidos para o baile dos enxutos!” SUPERB!!! Toma essa Machado de Assis! O comissário Gordon no auge da sua sabedoria, ao ser informado que a mulher deu pro açougueiro e a mãe também faz programa, reflete: “PQP…então eu sou um viado!” Eis que o plano perfeito para pegar o Coringa é disfarçar o Robin de viadinho, e mandar para casa do vilão. CLAP CLAP CLAP! (aplausos efusivos). E o menino prodígio resolve dar uma pitada de rebeldia à sua caracterização de baitola, quando encontra uma ninfeta da turma do malfeitor com outro capanga: “Olá putinha, vamo transar hoje?” , “Quem é o maconheiro aí?”, “essa merda não é maconha, eu quero maconha!” e para fechar com chave de ouro: “tchau sua putinha relaxada, te como ainda hein!”. James Dean, cadê seu Deus agora?

E a putinha relaxada é parte do plano infalível do palhaço para acabar com o morcegão. “Sabe o que é isso aqui minha filha? Isso aqui é pra cair pinto! É um líquido que  você passa na cabeça do pau do Bátima!!

Sabendo que vai começar a pancadaria no recinto, Bátima com toda a sutileza retira os civis do restaurante: “Bom o negócio é o seguinte… o pau vai comer solto aqui agora e… moçada todo mundo pra trás!” Tendo um cano de arma de fogo apontado para suas fuças, Bátima saca o escudo que atiça a curiosidade do menino: “De onde você tirou esse BatEscudo?”. “Você tá muito engraçadinho hein Robin! Lógico que foi do cu! Podia ser mais da onde?”. A sinceridade é uma virtude do verdadeiro herói! Depois que o grupo de atletas desiste de treinar para fazer suruba, encontram um documento que prova que o Bátima é viado. O “palhaço, o jóquer, o coringa” chega e tenta amedrontar os rapazes: “Cês que sabem… se vocês querem me pegar de pau, pega pooorrrrrra. Mas depois aguenta as consequências!”. E como sempre, surge do alto o paladino da justiça, com a sentença final: “Não se preocupem rapazes, eu mesmo coloquei esse documento aí. Esse documento não prova nada. Prova só que o Coringa é um filho da puta!”. Após apresentar uma verdade irrefutável, nada como terminar um filme com pancadaria. Mesmo que no meio dela você tenha um escape gasoso acidental. Estava pronta a fórmula de um blockbuster.