Sejam bem-vindos ao WeRgeeks Convida, um espaço criado para que nossos amigos, leitores e ouvintes também possam participar do blog e deixar posts com seus pontos de vista sobre o universo geek. Hoje, temos o prazer de receber um texto de encher os olhos de lágrimas do nosso irmão @LeoRadiofobia" href="twitter.com/leoradiofobia" target="_blank">Leo Lopes, gerente do @Radiofobia" href="http://radiofobia.com.br/" target="_blank">RADIOFOBIA, um pograma podcastal de extrema gabardância.

Agora, gostaria de fazer um convite para que você, enquanto estiver lendo esse texto, faça a viagem história junto com o autor, descrita com preciosos detalhes da vida do Leo. Acredito que todos temos nossos sonhos… e é lindo ver a jornada tortuosa que a vida nos leva a percorrer até que possamos, finalmente, entrar em um caminho que nos levará à realização de nossa missão aqui nesse pequeno planetinha azul.

O sonho nunca deve morrer

Meu nome é Leandro Lopes, tenho 7 anos.

Todos os dias quando acordo (não, não é uma música do Legião Urbana, a banda ainda não existe…) é a mesma coisa: um gostoso cheiro de café, vindo da cozinha, acompanhado do som do rádio AM da minha avó.

O som varia conforme o horário que levanto. Se acordo bem cedo, ouço o Zé Bétio falando pra “gorda acordar o gordo” e brincando com o Lagartixa. Se acordo um pouco mais tarde, ouço o caso policial do Gil Gomes ou a carta da ouvinte traída lida pelo Eli Correa. Às vezes é o Paulo Barbosa quem está falando. As músicas que tocam são, na sua maioria, regionais ou sertanejos de raiz.

Não entendo bem aquela caixinha preta, mas ela me fascina!

Meu nome é Leandro Lopes, tenho 14 anos e brinco de ser radialista.

Adoro contar piadas e imitar personalidades e desenhos animados. Meu programas de humor preferidos são o Cabaré do Barata, Chico Anysio Show e Viva o Gordo.

Também não me canso de ver Serginho Leite, João Kleber e a dupla Tatá e Escova fazendo imitações na TV. Descobri também que eles todos surgiram do rádio, e que fazem muito sucesso na capital.

Eu e meu melhor amigo, o Cleber, estamos sempre juntos. Todo sábado a gente ouve o Djalma Jorge Show pela Rádio União FM de Mogi-Guaçú, que retransmite o programa veiculado pela Rádio Jovem Pan 2 de São Paulo. Nossa brincadeira preferida é brincar de gravar programas de rádio, e temos certeza que, se mandarmos uma dessas fitas cassete pra alguma rádio, com certeza seremos contratados!

Meu nome é Leandro Lopes, tenho 17 anos e quero ser radialista.

Eu gosto de fazer várias coisas diferentes, e pra ser bem sincero, não tenho certeza do que realmente quero estudar. Estou entre Análise de Sistemas e Ciência da Computação. Ou talvez tente uma vaga no seminário… Mas lá no fundo, o que eu queria mesmo era ser radialista.

Aqui em Serra Negra não tenho muitas referências em rádio, mas consegui uma espécie de estágio aos finais de semana, em uma rádio FM de Amparo que está funcionando em caráter experimental. Depois de 3 meses só tocando músicas, finalmente me deixaram falar a hora certa a cada meia hora…

Meu nome é Leandro Lopes, tenho 26 anos e já quis ser radialista.

Depois de um longo período no Japão e Sri-Lanka, cá estou eu, exercendo meu sacerdócio em Belém do Pará! Mal posso acreditar que mês que vem estarei me casando com a minha baixinha…

Eu adoro o que faço, principalmente porque tenho a oportunidade de ajudar muitas pessoas. Ministro é uma espécie de confessor, amigo e psicólogo… Não é uma missão fácil, mas a alegria das pessoas quando conseguem acertar o rumo das coisas é a maior recompensa que eu poderia receber.

Aqui estou especialmente feliz, porque tenho várias atividades junto aos jovens. Além de orienta-los e acompanhar no dia-a-dia, componho e canto na banda, apresento eventos e cerimônias e também dou aulas.

Mas sempre me lembro que, há muitos anos, eu queria mesmo era ser radialista…

Meu nome é Leo Lopes, tenho 30 anos e estudo para ser radialista.

A mudança de carreira não foi programada, mas foi bem recebida. Minha qualificação como tradutor e intérprete de inglês e japonês me garantiu um bom contrato, ainda que temporário, com o governo do Japão. Sempre me disseram que tinha perfil de relações públicas.

Nem posso agradecer à altura os amigos que me tem apoiado e incentivado a fazer o que sempre quis! O estágio na rádio web não paga muito, mas me permite fazer eventos da comunidade japonesa e ampliar meus relacionamentos.

Quem diria que depois de tanto tempo, eu retomaria o sonho de criança e estaria aqui, em frente a um microfone e uma mesa de rádio, fazendo os testes de bancada para tirar o registro profissional de radialista!

Quando sair daqui, vou fazer um piloto do meu programa de humor, e com certeza alguma rádio vai se interessar! Será a realização de um grande sonho!

Meu nome é Leo Lopes, tenho 33 anos e sou um radialista frustrado.

Cansei de bater na porta das rádios com o piloto na mão e ser ignorado! Por maior que seja a vontade, não consigo sustentar minha família sonhando…

Uma empresa multinacional descobriu meu currículo na internet e me chamou para um processo seletivo. Nunca me imaginei trabalhando no mundo corporativo, mas a necessidade é mais forte. Relações públicas com japonês fluente, quem diria…

Realmente, parece que o rádio não passou de um sonho.

Meu nome é Leo Lopes, tenho 35 anos e lembrei que sou radialista.

Que fascinante essa coisa toda de podcast! Não consigo parar de ouvir – e de fazer! Nunca pensei que o projeto do Rádiofobia pudesse se encaixar tão perfeitamente em um formato para a internet!

Pra ser sincero, nunca pensei que alguém fosse sequer se dignar a ouvir essa bagaça. Sim, porque nada mais é do que o resgate de uma grande brincadeira de infância com meu melhor amigo, o Quessa, e agora outros amigos malucos que resolveram topar o desáfio!

E o que é esse povo todo da tal “podosfera”? Quem é essa gente que, mesmo sem nunca ter se visto, se reúne com tanta alegria e companheirismo pra gravar programas, discutir assuntos a acima de tudo, dar muita risada? Como se explica a emoção de ver uma pessoa pela primeira vez e ter a sensação de estar reencontrando um irmão querido que há muito não se via, dar um abraço e chorar igual a uma menininha?

De onde vem toda essa cumplicidade, essa amizade desinteressada, essa dedicação por algo que só rende alguns poucos trocados para alguns poucos, mas cujo retorno, refletido na amizade e gratidão dos ouvintes, é tão gratificante?

Eu nunca pensei que voltaria a sonhar alto, que voltaria a fazer planos, que voltaria a ter idéias e projetos aparentemente mirabolantes, mas que estão despertando novas possibilidades e um espírito empreendedor que eu mesmo não sabia que tinha. Assim como nunca pensei que, graças ao podcast, estaria tão próximo do rádio, chegando ao ponto de ser procurado para compartilhar a experiência de inovar na proposta de levar a linguagem radiofônica para uma outra plataforma.

Jamais eu poderia imaginar que, um dia, fazer podcast se tornaria o meu verdadeiro sacerdócio…

Meu nome é Leo Lopes, tenho 37 anos e hoje, graças ao podcast, estou realizando o sonho de ser radialista!

Trechos extraído das páginas de um diário que nunca foi escrito.