A tecnologia está presente em todo momento de nossas vidas, até mesmo, antes de chegarmos ao mundo que conhecemos hoje como Terra. Na barriga de nossa progenitora, somos registrados de forma contínua para segurança, por ultra-sons que estimativam nossos batimentos e cuidam de nós. Ao nascermos, além dos médicos responsáveis, temos monitores de frequencia, alimentando-nos e servindo de ajuda para chegarmos até os braços protetores da mamãe.

Nessa loucura de nascer, crescer, se desenvolver, somos obrigados de forma avassaladora a jogar video-game, usar o computador, navegar na internet. Hoje em dia, quem aí se lembra de escrever em papel e lápis um carta? Papel? Lápis? Estamos mesmo falando da era moderna? Os blocos de papel foram deixados de lado, sendo substituídos por palms, smartphones, tablets. Todos conectados. Interligados no mundo virtual para se comunicarem e, consecutivamente, nos monitorarem de perto. Aliás, dádiva essa que muitas pessoas copiam para suas vidas e as utilizam sempre que podem. Ou sempre que querem monitorar a vida dos outros.

E quando eu menos espero, inundado nesta navegação online de serviços, me lembro que apenas um aparelho mecânico sobreviveu ao tempo – e às mudanças físicas – e se tornou ao mesmo tempo obsoleto, e salvador da humanidade. Do alto de sua técnica complexa e sua carapaça rudimentar, surgiu entre a notórica civilização uma máquina capaz de parar o tempo, congelar o momento exato da sua vida, e transformá-la num buraco de minhoca eterno. Sim, porque a máquina fotográfica é o equipamento certo para se viajar no tempo, seja para quando for, e no mesmo instante, estar parado no presente. Ela é a formadora do fluxo temporal, que te leva sempre para o passado, mas que lhe traz no presente um futuro que você mesmo escolheu.

É só parar para pensar, se vocês, humanos, ainda lembram o que é isso. Você está numa festa de aniversário, clicando momentos que são únicos na sua vida. Você está em férias num cruzeiro no meio do mar e todos precisam saber disso, mais um clique. Você se encontrou com um artista famoso e (clic), terá mais um momento para o retorno. Mais uma compartição do disco rígido chamado vida foi armazenado ali, naquele pedaço de papel laminado, e quando você mais esperar, voltará no tempo, olhando para a foto nas mãos e lembrando cada passo, cada movimento seu para fazer instantâneo o registro.

Opa! Seu celular registrou a foto, seu 3G abriu para compartilhar com os amigos e, agora, no futuro, todo mundo sabe que você esteve ali, parado em frente a uma máquina temporal. Isso quer dizer que você os levou de carona pelo buraco de minhoca e os tornou parte da viagem. Tudo graças à tecnologia. Essa mesma que está fazendo você ler esse texto em casa, no trabalho, ou no caminho de ambos. Se temos a máquina própria para as viagens temporais, porque não afirmar aqui mesmo que a internet é o meio condutor? Ou os trilhos?