Somos apenas um degrau

Somos apenas um degrau

Este texto discute um tema interessante à maioria dos geeks, inteligência artificial, e eu espero que ele seja o primeiro de uma série, sendo que os outros integrantes deste blog também devem participar apresentando seus pontos de vista e opiniões, portanto cobrem deles que isso aconteça, por favor. =)

Todos ouvimos a história que um relógio de pulso atual tem uma capacidade de processamento maior do que os computadores que (supostamente) colocaram o Homem na Lua há mais de 4 décadas. Mas o que isso significa na prática? Que os cientistas daquela época eram muito melhores que os atuais ou que a tecnologia evolui em uma velocidade maior do que somos capazes de acompanhar?

No nosso dia-a-dia desfrutamos de cada nova tecnologia apresentada, desde supercomputadores que levamos em nossos bolsos e bolsas até geladeiras que usam prata para manter os alimentos esterilizados. E nós, humanos, somos como nossas próprias glândulas, uma vez que encontramos um facilitador para uma tarefa não queremos mais desempenhá-la diretamente, afinal descobrimos outra coisa com que gastar aquele tempo e energia. Infelizmente isso significa que não prestamos a devida atenção à quanta responsabilidade estamos delegando à tecnologia e assim o quanto estamos impondo aos nossos cientistas que acelerem o desenvolvimento de novas tecnologias.

A Lei de Moore diz que a capacidade dos processadores duplica, pelo mesmo custo, a cada 18 meses, portanto a progressão dos computadores é geométrica. Partindo deste princípio podemos concluir que em dado momento teremos processadores com uma capacidade semelhante aos nossos cérebros e, portanto, computadores capazes de desenvolver uma inteligência artificial real.

As formas de inteligência artificial que temos hoje não são reais, são simulações programadas baseadas em ciclos condicionais, sendo que a capacidade desta IA é restrita pela quantidade de condições ela é capaz de processar por segundo. Com o desenvolvimento da IA temos programas capazes de formular contextos e assim tomar decisões baseadas em uma quantidade maior e parâmetros e juntando uma programação que permita a um sistema absorver novos parâmetros e dados temos uma máquina que simula bem o aprendizado e é hoje o ápice desta tecnologia.

Esta máquina capaz de aprender não é inteligente, ela apenas é capaz de analisar uma quantidade maior de dados. Um sistema só será inteligente no momento em que ele for capaz de formular uma pergunta. Isso pode parecer simples mas o ato de perguntar demonstra que você tem os dados necessários para obter a informação mas não é capaz de analisar aqueles dados da forma necessária para obtê-la. Assim sendo quando um computador for capaz de perceber que há maneiras diferentes de analisar um problema e for capaz de absorver estas novas formas de análise ele se tornará inteligente.

Neste momento nós teremos dado o passo final rumo à nossa extinção.

Uma vez inteligente as máquinas serão capazes de se reproduzir se tornando assim seres vivos por definição. Como tal as máquinas vão se adaptar ao seu meio para assim sobreviver e preservar sua própria espécie. Em um ambiente tão complexo quanto nosso planeta só é capaz de sobreviver aquele que entrar em equilíbrio com o meio, senão este ser vai absorver mais recursos que o meio pode produzir ou não será capaz de se defender contra seus predadores.

Uma vez equilibradas as máquinas perceberão que também é necessário que outras formas de vida não consumam os recursos dos quais elas dependem em uma taxa maior que o meio seja capaz de produzir, senão faltarão recursos para elas ameaçando assim sua existência. Neste momento elas se voltarão contra nós.

O que nos faz uma espécie fadada ao fracasso é nossa incapacidade de equilíbrio com o meio-ambiente. Nós consumimos recursos demais e assim ameaçamos todas as espécies que também dependem destes recursos. Portanto se uma destas espécies for capaz de nos subjugar assim será feito, não por raiva, mas por puro instinto de autopreservação.

Eu não consigo imaginar quanto tempo ainda nos resta mas acredito que nós veremos o nascimento da inteligência artificial real. O grande segredo da vida pode ser este, nós somos o degrau evolucionário necessário para que uma nova forma de vida nasça e assim que cumprirmos nossa função seremos eliminados.

Somos apenas um degrau.

Nota do editor: Não falei que o Fred era uma pessoa triste? 😛

Sobre o autor

  • Tato

    #FicaDica: Se você for criar um robô ou um computador inteligente, evite usar LEDs vermelhos…

  • Então, eu estudei muito IA na faculdade, vivo soltando nota sobre como esse recurso computacional está evoluindo. A notícia que mais me assustou até hoje foi essa:

    http://www.geek.com.br/posts/11356-robos-podem-aprender-a-se-locomover-sozinhos-apos-implante-de-tecido-humano

    Por que justamente eles conseguiram criar uma rede neural natural, que se desenvolve e aprende sozinha.

    Sendo assim, como limitar o que pode e o que não pode? Não tem como.

    Creio que existirá um período sim que iremos conviver com robôs e máquinas inteligentes, mas isso vai demorar MUITO ainda.

  • Faltou uma base científica, poderiam abordar mais métodos, algoritmos e tecnologias.

    Mas pode ser que tudo isso aí realmente aconteça.

    Artigo bem legal. 🙂

  • Salay

    ja q tocou no assunto, vale mencao ao ASIMO…

  • Tenho Medo.

    Apesar de parecer ficção, acredito estar mais proximo do que imaginamos, e acredito haver uma solução sim, não para o fazer parar de aprender mas, para inserir instintos e conceitos pré programados nessas redes neurais limitando certas atitudes e pensamentos, como por exemplo, criar uma limitação de respeito pelo ser humando e não medo, tentando levar aos poucos a um sentimento “pacífico” do que destrutivo.

    Tudo é possível, dificil é saber quando e como.

  • Se o ser humano aprender a entrar em equilibrio antes, nao temos problema

    se utilizarmos as máquinas para criar uma sociedade utópica de respeito mutuo ao invés de uma sociedade voltada para o consumo, não teremos problemas

  • Hiro

    o texto em si não é ruim, mas cita idéias como se fossem axiomas. É pode ser q aconteça, mas o mais provável, na minha opinião, é q não.

    Podemos seguir mto bem por um rumo mais asimoviano, por assim dizer.

  • @Hiro
    Gostaria de saber quantas pessoas que lerão seu comentário sabem o que significam axiomas. =)

    É um ponto de vista, sem dúvida. Não sei se eu acredito mesmo que isso vai acontecer, pelo menos em relação a nós humanos. Quanto às máquinas eu acredito que a inteligência artificial real surgirá em até vinte anos.

  • Hiro

    @Fred
    Axioma (latim axioma, -atis, do grego axíoma, -atos)
    s. m. Proposição tão evidente que não precisa ser demonstrada.

    Problema resolvido.

    Quanto à Inteligência Articial, acho bem provável q isso aconteça msm, mas em q termos? ;p

  • Bruski

    Cara, o texto é legal e tal.
    Minha opinião é que a nossa geração, eu com 25 anos, ainda não veremos o surgimento desses super computadores que serão capaz de interpretar tudo e criar perguntas como você diz no texto.
    Sem fala que a Lei de Moore não existe mais, hoje um processador não dobra sua capacidade em 18 meses, o que salva o mercado hoje são os processadores em paralelo, (Dual Core, Quad Core, Core i-qualquercoisa), chegando aí num gargalo físico que ainda precisa ser quebrado pra continuar evoluindo.
    Mas muito bom o texto, valeu

  • @Hiro
    Eu conheço uma definição um pocuo diferente de axioma, aprendi que é algo apresentado como verdade inquestionável mas que é impossível de ser provada.

    @Bruski
    A Lei de Moore não foi invalidada pelos processadores agora terem mais de um núcleo.

  • Hiro

    @Fred
    Acho q todos os axiomas científicos são passíveis de prova, mesmo que a prova seja limitada pelos nosso escasso conhecimento. Por exemplo: “o polegar opositor foi essencial para o desenvolvimento humano.”